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terça-feira, 11 de novembro de 2014

O que é Salvação?



Jesus está bem aqui ao meu lado. Está crucificado, tanto quanto eu. Meu Deus, eu roubei, mas esse justo, o que ele fez? Roubou coração de mulheres, homens e crianças, não foi? Foi. Ainda lembro quando ele passou pelo meu povoado e cochos andaram para o seguir, cegos viram como ele flutuava, surdos ouviram os seus passos. Me crucificaram, sou ladrão. Te crucificaram, mas és rei:

- Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino.
- Em verdade...


***

Não sei o que há comigo. Estas palavras me penetram feito encanto. A culpa se dissolve. O arrependimento de qualquer mal não mais pesa, liberta. O sangue que escorre dos buracos que pregaram em mim esfria. O corpo gela. Não o consigo mais sustentar. Não estou mais na cruz. Onde estou? Que lugar é esse? Uma longa estrada se delineia a frente. Meu Deus! Não estou morto, ando! Minhas feridas saram. Outra força move as entranhas. Nunca vi a Torá tão reluzente em meu peito. Os versos de amor me acolhem, me impulsionam. Enxergo irmãos em tudo quando antes era solidão. O que acontecerá comigo a partir de agora? Que sei eu? Me sinto bem...

domingo, 9 de novembro de 2014

Acabei de participar de uma cirurgia espiritual



O joelho doía há mais de um ano e fui procurar ajuda que não a do tensor, quando me veio uma dor excruciante ao descer uma rampa. A ressonância me apresentou uma fissura de patela. 

Esse post não quer falar se fui ou não curado à cirurgia espiritual, mas das belezas que vi por lá com olhos não-mediúnicos. 

Um terço dos presentes estava ali para se submeter às luzes terapêuticas prescritas pelos médicos do além a fim de consolidar o ato cirúrgico. Profissionais da técnica Reiki dedicavam seu sábado pela manhã para harmonizar o corpo das pessoas em ato de graça. A maioria vinha com suas dores para se valer dos Espíritos que, através de médiuns, tocavam as pessoas em suas inflamações, aqueciam as feridas com as mãos impostas, acolhiam as morbidades para quem a medicina oficial foi negligente ou assustadora. 

Não há cortes. Há uma fé em que a proximidade cura, o cuidado, a dedicação, a devoção. A "médica" não falou nada sobre a fisiopatologia da patela. Apenas:

- Você deve estar muito limitado, não é? - olho no olho. 

Atrás do povo que esperava pela cirurgia, voluntários preparavam o sopão para os menores e os moradores de rua. Crianças se agitavam alegres ao redor. E um pequeno Marcos saiu brincando de dar bom dia para todos os expectantes, chacoalhando as mãos. 

Há o setor das águas. Acreditam todos que elas são imantizadas por propriedades terapêuticas que, quando bebidas, se misturam ao seu corpo doente para restaurá-lo. E há o setor dos fitoterápicos, as preparações de cura de várias gerações que nos antecederam são aceitas em sua verdade. 

Dentro do salão onde aconteciam as intervenções, baixinhas, músicas evangélicas e de padres brasileiros nos convidavam a lembrar da força de Deus. Alguns espíritas abastados talvez sentissem falta de suas músicas clássicas. Eu não. Há músicas evangélicas que marejam meus olhos e as dos padres que acalmam as dores de minha mãe. Elas me evocam a simplicidade e a intensidade de uma religiosidade brasileira. Simples, tudo. Intenso. 

Ao final, nos entregavam um receituário em que estava escrito para não abandonar os tratamentos da medicina material. Das duas uma: A) Ou se deve ter muito receio que nada disso dê certo; B) Ou se deve ter muita confiança no poder de tudo o que lhes falei, defesas que estão essas práticas de qualquer perturbação que lhes sejam estranhas. 

Deixam claro, todavia: Nada sem a fé.   

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O que é Médium

Uma médica está massageando o peito de um paciente cujo coração havia acabado de parar. Ela continua os esforços, mas diz para a equipe: "Vamos tentar mais quinze minutos, mas certamente ele não volta... (sussurrando) eu vi."

Uma senhora, dona de casa, está à missa e vê um velho simples, sem roupas sacerdotais, subir ao altar e abrir a bíblia. Partilha com o filho:
- Você vê aquele senhor abrindo a bíblia?
- Não há ninguém ainda no altar, mãe?

Uma jovem empresária chega em casa cansada, deita no sofá, liga a televisão no canal da novela. A cadeira de balanço se balança. Janelas fechadas, porta fechada. Balançado insistente. A moça repreende: "Se quiser assistir, assista quieto!".

Um rapaz está com a esposa em um quarto escuro em que ela espera para fazer um exame especial da cabeça. A mão dele formiga. Pede, então, emprestado uma caneta. Pega uma folha de papel qualquer e começa a escrever. Ao terminar: "Olha, amor, o que disseram pra gente!". A moça mareja os olhos e dá m beijo no rapaz. A técnica responsável por realizar o exame solicita gentilmente que ele se retire da sala. Ele devolve um beijo na boca da esposa e vai reler a carta na sala de espera.



segunda-feira, 21 de julho de 2014

O que é o Passe?

Minha mãe está vivendo uma doença que não tem cura. Misturado com os fogachos dos cinquenta, vem um fogo que o neurologista diz ser má interpretação do cérebro sobre as informações transmitidas pelos nervos. Os medicamentos fazem efeito curto, depois volta as manifestações do Parkinson. Havia noites que eu ficava com ela, pois um dos despertares noturnos se prolongava trêmulo. 

Eu pensava que precisava ser mestre para dar passe, foi quando, diante da minha impotência, e cheio de piedade, tomado pelo sono e pela vontade de dormir, levantei a mão sobre a fronte dela, nós dois na cama, rezei um pai nosso emendado com uma conversa junto aos nossos anjos guardiães. Quando dei por mim, o sol cutucava meus olhos e me mostrava a mãe de volta a dormir. Fechei a cortina, me arrumei para o trabalho e disse amém

terça-feira, 8 de julho de 2014

O que é uma Sessão Mediúnica?



Todas as segundas vou para a do meu centro espírita. Lá no fundo há uma sala. Um ventilador simples e quase quebrado gira, espalhando um pouco de poeira no ar. Os Espíritos desde já nos protegem, me impedem de espirrar. Algumas poucas teias de aranha no telhado. Esquecemos de limpar!

Vão chegando, de um por um, amigos que apertam as mãos, se dão um abraço. Há um médico, um bombeiro, um representante de farmácia, um pedreiro, um músico, uma servidora pública, uma dona de casa mãe de muitos filhos. Cantam algumas músicas, fazem uma prece, pedindo permissão à Deus para começar a se comunicar com os Espíritos, lêem uma a duas páginas de um livro instrutivo, alguma passagem do evangelho. Colocam um punhado de nomes em um caderno improvisado. Todos deverão manter aquelas pessoas em mente querendo ajudar.

Apagam-se as luzes. Abre-se uma menos intensa que permita melhor concentração. Alguns dos presentes, tentando conter os impulsos para que seja um por vez, começam a deixar sentimentos estranhos a si aflorarem. Aqui é um que chora a culpa do assassinato do irmão, ali um senhor que nunca deixou de amar a mulher que está triste em vida, acolá a fúria de alguém que não gosta que tentemos ajudar a quem ele persegue por vingança. São melancolias, ironias, atordoações, zombarias. Mas também são instruções, consolos, amizades, alegrias. É um anjo bom que fala sobre a vida que vinga para além da vida, um velho simples que adverte sobre as pedras do caminho, uma jovem que chora a gratidão da música que o violão de um dos presentes tocava fora dali. E, para todos, uma palavra amiga do coordenador da reunião. Sem gritaria, sem consternação; com respeito, com persuasão. Os Espíritos amigos pedem que se fale com mais amor. O amor é uma lição que estamos pelejando por aprender sempre, cada vez mais.

A mesa não é branca. É uma grande mesa marrom um pouco carcomida por dentro de onde saem, vez ou outra, algumas formigas para olhar o que acontece fora. Uma delas tem que se desviar da gota que caiu ali. Era a lágrima de uma mãe que chorava a perda do filho nas drogas. Outro desvio. Era a lágrima de um filho que voltava a ver a mãe depois de tanto tempo perdido.

A pequena sala é lotada, apesar de sermos só sete, às vez oitos, outras seis. Nem todos são tão médiuns a ponto de deixarem os Espíritos falarem por si. Ao final, mesmo estes menos médiuns sempre têm algo a contar. Foi um peso na nuca, foi um sopro no ouvido, foram luzes aqui e ali a piscar.

É uma prece boa que finda o trabalho. Os livros guardados no armário. Uma coceira chata dos pernilongos nas pernas. Uma felicidade no ar. Ninguém sabe de onde vêm, nem para onde vai.

- Vou pra casa!
- Pode me deixar ali?
- Claro! É meu caminho. Vamos lá!



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