[Nas duas mediúnicas anteriores, falei diretamente com o obsessor. Esta sessão ele não veio. A mão do médium ficou inerte por um tempo até vir dois ou três abalos, então alguém se manifesta.]
- O Espírito com que você se comunicava não veio. Estou em nome da família espiritual do jovem que você assiste a fim de lhe fornecer esclarecimentos.
- Queria primeiro agradecer pela disponibilidade. Eu entendo que todo indivíduo encarnado possui uma família que o acompanha. Mas, poderia me falar um pouco mais sobre a magnitude dessa família.
- Você deve entender da mesma forma que nenhum indivíduo surgiu ao nascimento que vocês presenciam. Desta família que ladeia o rapaz, não sou nem o mais novo, nem o mais velho. Há os mais novos que se uniram à nós, que são os que mais sofrem com as dores de nossos irmãos. Há os mais velhos, cuja experiência nos passa uma serenidade de saber que o bem sempre ganha ao final. Situado entre os extremos, já tive meus momentos de chorar e me desesperar em demasia pelos meus amores. Venho enxugando as lágrimas e perguntando mais aos nossos superiores.
- Você fala como se houvesse toda uma hierarquia e de fato uma família quase como que consangüínea no plano espiritual. Nunca pensei ter esta força tangível estes laços.
- Na matéria, o sangue nos aglutina, mas muitas vezes é um força odiosa e pouco querida que nos amarra. Alguns desafetos estão sob o mesmo teto, e isso é uma infelicidade constante. Todavia, há o dedo de Deus, que sendo Pai de todos, quer que todos se entendam. No espaço, por outro lado, soltos do peso da carne, desobrigados das exigências sociais que nos unem para a sobrevivência, os laços dos Espíritos são feitos de afeto, e, por isso, ainda mais tenazes. O amor que parteja cada membro dentro do nosso círculo nos faz ter uma devoção por vezes doce, outras vezes angustiante de seguir suas aventuras na carne. Por ora, estamos constritos pelo destino do nosso amado.
- Perdoe-me evocar esta possibilidade, mas o que acontece quando algum de vocês falham, digo, por exemplo, nestes casos de morte por suicídio.
- Ah! Amigo, são tantos os motivos que conduzem uma pessoa a desertar da existência como a forma de elas chegarem a nós. No geral, um desespero horrendo acompanha a mente que, aflita, rasgou suas promessas e planos de antes de ingressar na carne. Alguns descrevem agressores que pululam ao seu redor, outras vezes é apenas um em particular. Todavia, o que mais me compadece nas cenas que vejo dos que se enveredam no abismo do suicídio é o trauma íntimo da experiência. Toda a lógica do universo parece se estilhaçar na mente, nada faz mais sentido. Todas as potências do espírito estão nele presentes, mas sangrando. Se levantar é um suplício, pior é voltar a se sentar porque já não se vislumbra a possibilidade de andar. E quando se anda, marcha trôpega, cada passo evoca uma experiência de dor. Que importa quem berra ao lado impropérios, insultos? A perda do sentido é a violência mais assassina que existe! Se pensava não existir sentido em vida, tão pouco a morte revelará qualquer luz.
- O que é feito para ajudar estes irmãos?
- Tudo o que podemos, e não é pouco. Mas, nenhuma força pode superar a vontade do Espírito.
- Nossa ciência anda falando da força da química cerebral.
- Com a visão fixa apenas na vida atual, a química cerebral e a genética parecem dois monstros indomáveis a determinar a ação do indivíduo. Quando nos afastamos do momento atual e enxergamos a solidariedade entre as vidas, chega o instante de termos a visão clara dos motivos que costuraram os desfechos atuais. Se o universo é obra de Deus, a vida de cada Espírito é obra própria. De forma nenhuma quero desmerecer os avanços que o Grande Pai permitiu que a ciência tivesse para ajudar os cambaleantes. O que devemos é exaltar a força de cada filho de Deus de alcançar a iluminação. Se você pensar bem, não faz o menor sentido culpabilizar a química ou a genética. Quanto mais o homem se aproxima destes temas, mais eles escorrem pelas próprias mãos. Esquecem, então, que é no próprio homem que se encontra a chave de seus males. Nele e em Deus. Nestes dois pontos juntos. Homem e Deus, religados.
- Você pode me descrever algum resgate de uma alma querida que chegou à vocês nesta situação em que falamos?
- Eu chorava em meio ao escuro de tudo. Depois de anos que meu amado esteve perdido em si mesmo, olhos opacos para qualquer coisa, uma faísca se acende em seus olhos. Era Deus que germinava em sua lembrança. O amor que rompia seu encastelamento. Já não falava, já não fitava qualquer semblante há tempos. Sei, porque frequentemente me permitiam ir a ele. Encontrava-o, tomava-o nos braços, derramava lágrimas sobre seu corpo, e ele não me via, não me sentia, não me retornava. Naquele dia, sua mão encrespou na minha. Eu me assustei. Uma lágrima escorria de um olho. Refletia a luz distante que vinha da zona de socorro onde eu estava hospedado. Uma oração sincera nasce de meu peito. Faço-me luz envolvendo-o por completo. Eu e ele éramos um, indiscernível naquele momento. Pela primeira vez sinto atravessar de novo seus sentimentos, como cavando os escombros que o asfixiava. O calor do seu corpo é retomado, e algumas palavras emergem de sua boca: "a-ju-de-me... D-e-u-s". Seu corpo se faz leve como vento, o meu volita junto ao dele e, em um pensamento, chego ao hospital do acampamento de socorro. Evoco vários amigos. Deito-o sobre uma maca. Os médicos e enfermeiros cercam-no e assumem os cuidados. Aproximo-me de alguns da nossa família e choro convulsivamente todo o agradecimento ao Pai que estava no peito. Damo-nos as mãos e passamos a orar pela sua recuperação. Em breve estaria entre nós.
- Nem sei o que dizer. Essa cena me emocionou muito. Você é o mesmo daquela outra comunicação?
- Não. Sou mais um.
- Quantos são, esta família?
- Quantos ela precisar. Somos.
- Posso divulgar esta conversa?
- Não se esconde a luz sob um alqueire, mas põe-na ao velador, para que ilumine a todos.
- Grato.
- Eu que o sou.
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sábado, 26 de agosto de 2017
sábado, 8 de julho de 2017
Mensagem mediúnica para uma jovem pensando em suicídio
[Esta mensagem mediúnica parece ser direcionada para uma pessoa em particular. Deve mesmo ter algumas questões que calam fundo na pessoa para quem foi dirigida. Mas, como encontro nela uma amor universal, o da amizade, o do carinho, o do cuidado, divulgo para que sirva de consolo para quem se reconhecer nesse amor. Deixo em anonimato o médium, pois é a mensagem que importa.]
Moça,
Queria poder te mostrar as coisas que vi aqui. Então, acreditarias na grandeza de Deus. As mais simples venceriam o argumento mais elegante dos homens. Quando vemos, então, o que se esconde por trás, é como se pudéssemos contemplar um sinal do Criador.
Não queria te mostrar de forma precipitada. E sei que o mundo onde está já te cansou. Ninguém pode te tirar daí. E venho para te inspirar ânimo. O bom, é que o que há de belo aqui, nessa terra em que choras, também há. Mas, teus olhos, ocupados em chorar, não vêem.
O tempo se faz padrasto. Os ponteiros pesam como a cruz, eu sei. Já estive em tua situação. Não vale a pena escapar da vida. O sofrimento restaura. Algumas lamas que cristalizamos na alma precisam da carne para se dissolver.
De vez em quando tu me permites uma brecha no pensamento, e falo sobre Jesus, o quanto aqui Ele se manifesta em todo Seu esplendor. Do que tento passar chega ao teu peito: Jesus é bom. Isso é pouco! Falo Dele para ti, porque compreendemos ao atravessar o grande portal, que, neste mundo, sem Ele, somos nada. Só o Bom Pastor pode nos proteger do pior inimigo cósmico que nos ameaça: nossa sombra.
Tu és uma amiga querida de muitas jornadas. Queria tanto te receber aqui nos braços, eu e mais outros tantos, sem que precisássemos te resgatar do precipício em que os desesperados choram. Nos esforçamos por te fazer vitoriosa. Então, findo o corpo, tua alma sairia resplandecente, esta mulher linda que você é. Todas estas verdades que parecem areia, se revelariam rocha à tua frente. E nós, sorrindo, te acolhendo.
Fica em paz, minha irmã!
Deus é conosco.
Um Espírito Amigo
domingo, 19 de março de 2017
Meu corpo é um erro
Aos trinta anos, um desvio patelar e uma má inserção do tendão da patela junto ao fêmur provoca um desgaste da cartilagem da mesma. O pé plano de sempre provocou uma curvatura nos joelhos que pioraram o desgaste. A tireóide há dez anos se mostrou insuficiente, e há dois deu pra manifestar um tumor em que a cirurgia de extração do órgão inteiro foi a melhor solução. As paratiróides poderiam ter sobrevivo incólumes à cirurgia, mas por outros tantos motivos obscuros pararam de funcionar com o trauma iatrogênico. O cálcio vem em níveis subfisiológicos, e a letargia presente, bem como os formigamentos, a hiperexcitabilidade dos neurônios e as cãibras são alguns sintomas tristes desse mal.
Sem nunca ter fumado nem tocado em álcool, apresentando apenas uma obesidade pouca que esteve ausente de mim apenas na adolescência, e um mau sono em dias de plantões ruins nos últimos cinco anos, não mais que duas vezes ao mês, não entendo que tenha, assim, acumulado hábitos nocivos o suficiente para justificar todos esses agravos, quando outras pessoas mergulham bem mais em vidas desregradas e seguem ilesas.
A primeira explicação que viria em mente seria: "meu corpo é um erro". Que recentemente ouvi, de forma diferente, de um rapaz em depressão: "sou um erro".
Essa forma de ver é perfeitamente endossada pela teoria da evolução abraçada pela ciência dominante. O meu corpo é a seleção casual de um conjunto de virtudes que, junto com à proteção social, me permitiram chegar até aqui, porém, também não o é menos, um conjunto de erros acumulados, ou de defeitos que escaparam da seleção natural dos mais aptos, na mesma lógica aleatória.
O que o Espiritismo nos diz não é bem assim. Há Providência em todas as coisas. Toda e qualquer matéria só recebe um influxo de progresso porque há uma realidade espiritual subjacente que a movimenta. O espírito movimenta a matéria, tanto no plano cotidiano quanto no planejamento cósmico. As virtudes e os defeitos dessa caminhada se dá pela própria natureza do sujeito do movimento. Não é Deus que está provocando sua perfeição na matéria, mas um espírito em aprendizado. A matéria não é nada mais do que o conjunto de realizações deste espírito ou dos espíritos. Podemos reconhecer a excelência e a decadência de um povo pela sua arte tanto quanto podemos reconhecer a excelência e a decadência de um Espírito pelo seu corpo.
Se a crença reencarnacionista fosse aceita pela comunidade acadêmica uma ciência muito interessante deveria emergir: a arqueologia dos corpos. Assim como, na medicina, o estudo dos sinais remete-nos ao conhecimento da doença que os esculpiu, nessa arqueologia, o estudo da morfologia de cada ser remontaria às ações que plasmaram o corpo atual desta ou daquela forma.
A teoria reecarnacionista aponta, então, que o meu corpo não é um erro anônimo de uma natureza aleatória, mas é o acúmulo de erros (e também de acertos!) do próprio Espírito que vem experimentando a matéria no correr dos milênios. É uma teoria mais apropriada que a do evolucionismo materialista porque não desconsidera o poder do protagonismo do Espírito na transformação da natureza, e nos devolve uma visão de conjunto que casa com a harmonia cósmica, sem desmerecer o criacionismo divino. Deus continua sendo o Pai criador que vela pelos seus filhos disseminados pelo universo em infinitas viagens de maturação. Ele nos criou simples e ignorantes, e a matéria, resistente, porém moldável. É moldável para permitir ser trabalhada pelo Espírito. E resistente para oferecer desafios que o façam crescer.
Revisitando os defeitos do meu corpo, o espírito é de compreender que tudo o que está acontecendo me pertence, bem como o futuro de refazer novas possibilidades materiais mais saudáveis que esta. Isso não acontece do dia para noite, por vezes leva vidas, o que torna imperioso começar já.
De outro modo, seguir ileso mesmo sob o império de vícios pode advir de pelo menos dois motivos:
- é um Espírito que ainda não acumulou tantos desgastes em seu perispírito a fim de materializar a doença no corpo físico;
- faz parte do planejamento encarnatório dele em que os mentores espirituais responsáveis por este processo entendem que conferir-lhe fatores de proteção adicionais pode ser mais proveitoso ao seu aprendizado do que o deixar colhendo as conseqüências cruas de seus atos.
Para bem entender o Espiritismo basta que se tenha em mente que o aprendizado a fim de permitir a evolução do Espírito é o primordial.
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
(Parte 2) Diálogo com um jovem pensando em suicídio
[Do diálogo passado ele filtrou que eu houvera ratificado seu estado de desconectado do mundo. Assim vinha sendo a maior parte de nossos diálogos. Eu falava um mundo de boas coisas, ele ouvia o local que mais se afinava com a depressão. Voltou a me procurar.]
Estou perdido. Me ajude. Não sei para onde ir. Não faz mais sentido nada do que vinha fazendo. Não vejo sentido em fazer qualquer outra coisa.
Preciso que você tenha pelo menos alguma esperança antes de lhe orientar qualquer norte. Como está seu tratamento médico?
Estou em uso de quatro drogas. Já estou mesmo em eletrochoque e não vejo melhora.
Nada? Nenhuma mudanca sequer?
Pra falar a verdade - tenho até vergonha de confessar - antes, acordar para mim era um suplício, porque acordava mais um dia de nada a melhorar. Nos últimos dias (já se foram seis sessões de eletrochoque), uma nesga de esperança reacende ao amanhecer, mas me vem um medo de dar tudo errado, e me vem uma angústia de que, melhorando, as pessoas que cuidam de mim me abandonem.
[Esqueci de dizer para ele que vi nessa fala três sinais de melhora: 1. a esperança; 2. o reconhecimento de que é cuidado; 3. o medo de perder as pessoas. Dias antes havia dito que tudo lhe era indiferente como parte de sua síndrome de desconexão do mundo.]
Amigo, sei que pode parecer difícil, mas cada vitória tem que ser festejada, por menor que seja. Sua mente veio sendo esmagada pela ansiedade da vontade do mundo. Essa vontade traz um passado que pesa e um futuro que cega. Permita-se viver hoje. Lembra-se da prece do Pai Nosso? "O pão nosso - de cada dia". Permita-se recomeçar hoje e esteja aberto, seja grato - por cada dia.
Meus pais querem que eu retome tudo e venha a ser o que eu vinha sendo. Mas, tenho ódio do que eu vinha sendo.
[A automutilação a que vinha se submetendo, cortando-se em partes não letais, parecia ter três motivos: 1. sentir que ainda podia sentir alguma coisa; 2. mostrar que odiava a si mesmo; 3. punir-se por tudo o que estava acontecendo. Perguntei se também era uma forma de maltratar seus pais. Ele me disse que não.]
A tradição cristã (e não só ela) nos dá uma perspectiva extraordinária dos renascimentos. Todo convertido tem seu passado esquecido, ganha um novo nome, para recomeçar a vida redimida. O Espiritismo revela que isso acontece mesmo entre vidas: esquecer o passado, ganhar novo nome, recomeçar nova vida. O que vinha sendo a sua vida era odiável? Recomece, pois! Quando suas forças renovarem, Deus permitirá que o passado volte para que dê conta dele. Mas, então, será um outro homem, mais forte, mais sábio, enfrentando o homem velho.
Sobre seus pais, parece que vem chegando a hora de você se tornar homem e ter suas próprias decisões, arcar com o seu sim-sim-não-não. Digamos que esse enfrentamento te custa ainda muita energia. Então, calma, respira fundo, recomponha-se, persista no tratamento, e seja grato pelo "pão nosso - de cada dia".
Às vezes penso que eu vim errado pro mundo. Que sou um erro.
Atualmente, duas grandes visões dominam nosso horizonte ocidental: o Grande Deus Todo Bom e Todo Sábio e o Nada sartreano. O primeiro não comete erros, o segundo não gera nada. De um jeito ou de outro, não há como você ser um erro. Ou você não encontrou seu caminho ainda (o caminho certo que Deus reservou para você), ou você é o autor do seu próprio caminho. De todo modo, a busca de se encontrar é a mesma.
Diálogo com o Espírito que o induz ao suicídio
Parte de sua sombra está esmaecendo. O garoto entrevê esperança ainda que distante. Queria pedir para não se enfurecer com isso. Da mesma forma que ele pode emergir das trevas, você também pode.
Vamos pensar no depois. Ele morre e se torna seu subjugado. E depois? Você o tortura de mil formas físicas e verbais. E depois? Você o joga no deserto das aflições para que aves de rapina o devore. E depois?
Em ele sendo imortal, cai-se no tédio. Depois dele, haverá algum outro na sua lista de caçados? Que qualidade de felicidade é essa sua que se ergue sobre a infelicidade alheia?
Desejo que o manto do ódio que encobre sua visão também esmaeça e que você passe a ver, ainda que distante, a plenitude da vida para além destes mesquinhos acertos de conta.
Deus aceitaria um demônio em seu Reino?
Um demônio não, mas você, um filho temporariamente equivocado, certamente.
* Texto baseado em um conjunto de diálogos com pessoas em sofrimento atendidas ao Lar Espírita Chico Xavier.
domingo, 23 de outubro de 2016
Diálogo com um jovem pensando em suicídio
Sinto-me deslocado.
Essa sua sensação de já não estar entre nós, ver tudo passando como um filme chato, seus sentimentos ilesos ao que acontece conosco, é parte dessa verdade de que você é um Espírito para além deste corpo. Seu Espírito parece estar deslocado. O corpo emite sinais ao Espírito distante.
Se isso fosse apenas um vôo, te pouparia da minha fala. Mas, se anda gerando vontade de morte, não posso me abster de tentar te convencer do contrário. Toda vontade de morte é doença. Precisamos ir em busca do que te devolve vida, potência de existir.
Por que insistir em mim?
Conheço seus familiares. Estão aflitos. A aflição em perder alguém é uma das formas de amor. Um amor que se acalma com a presença do ser amado. Sofre com a distância. Há, de outro modo, nas nossas crenças (e na comunicação dos Espíritos), a ideia de que não é boa coisa tirar deliberadamente a vida. O estado de alma depressivo se perpetua depois da morte. Esse inferno na consciência permanece e queima na pele do Espírito como se estivesse em carne viva.
Por que Deus fez um universo com sofrimento?
Não sei. Sério. Não sei. Ainda não consegui entender completamente a cabeça de Deus. E, sinceramente, não sei se conseguirei nos próximos dias. O universo que Deus fez é este aí que estamos vendo. Há belezas estonteantes que a sua visão cinza atual não enxerga. E há a feiúra que sua visão acizenta mais do que deveria. Queria te convidar a pintar os olhos. Não se pode colorir a feiúra, mas há quem peleje por saná-la. Agora não. Mas, podemos vir a ser destes últimos, um dia.
Diálogo com o Espírito que o induz ao suicídio
Você não aparece. E se mistura nos pensamentos do rapaz como se fosse os dele. No início até poderia se distinguir, mas hoje a relação que você conseguiu construir é tão emaranhada que o pobre pensa serem uma só e a mesma pessoa.
Não posso te censurar. Sinto que vocês dois se amaram muito em outra vida. Um amor traído, não foi? Hoje virou vingança. Ainda é amor, não é? Mas, adoecido.
Se ao menos ele acreditasse em reencarnação e que os Espíritos podem atuar em nossa vida, eu poderia convencê-lo a lutar contra você ou te perdoar e pedir que se pacifique. Mas, não acredita, e pensa que tudo o que chega no coração vem dele mesmo. Sente-se mau por pensar em se matar, em se cortar, em se intoxicar. E ser alguém mau o fere ainda mais do que a faca.
Por que Deus permitiu que nós nos reencontrássemos e déssemos seguimento a essa simbiose de morte?
Suponho que Ele queira ver os filhos se entenderem. Que os nós sejam desatados por nós.
* Texto baseado em um conjunto de diálogos com pessoas em sofrimento atendidas ao Lar Espírita Chico Xavier.
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