terça-feira, 9 de janeiro de 2018
Criança
Quando os entendidos falam do alto de seu Eu que o nosso eu é vão, dá-me vontade de rir. Um Eu que fala a outros que eles não prestam é um dominador. Mas, quando vem o pecado em mim e, apesar de todas as minhas defesas contra a depressão, caio, a Virtude suprema, o Eterno bem e sua Pessoa me vem a mente, um verdadeiro Eu para quem sou nada. Porém, me tens como filho, me acolhes do infinito, em Ti me recomponho. A experiência das crianças é a mais honesta que se pode ter, quando somos humildes.
domingo, 7 de janeiro de 2018
O novo entendimento de santo
Por que, no mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons?“Por fraqueza destes. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, preponderarão.” (O Livro dos Espíritos, pergunta 932)
Pode parecer estranho falar em novo entendimento de santidade, já que esta participa daquelas categorias que se subsumem no divino, e este seria a invariância por excelência. Mas, é isto mesmo, o divino é invariável, porém a santidade é ação humana impulsionada pelo divino. E, no que tem de humanidade, está submetida ao processo histórico.
O que há de eterno, por outro lado, é que as várias formas de santidade que se apresentaram na história humana são como faces perfeitas de um ângulo de Deus.
Na idade Média a figura icônica do santo era mais ou menos aquela figura monacal, distante da vida enraizada no mundo, trabalhando desde a madrugada entre preces e mortificações para remediar o pecado de seu corpo. O espírito deveria se render a Deus.
Francisco de Assis foge à esta imagem, talvez, apenas pela distância corporal com o mundo (embora em espírito ainda fosse um estranho) e pelo aspecto lúgubre das mortificações (já que era um bobo alegre de Deus).
A cultura do renascimento traz outras formas de enxergar a virtude. A mais cultuada era a da audácia de conhecer coisas novas. Era o retorno do heroísmo clássico, transmutado pelo espírito do cavaleiro medieval, rumo às exigências de um mundo que crescia exponencialmente a olhos vistos. A África era margeada, as Índias descobertas, a Mongólia desvendada, as Américas inauguradas aos olhos do europeu.
Como deve ser o novo santo?
Não pode mais viver em um mosteiro. Deve participar do mundo. A riqueza que vai acenando em todas as partes aponta que o paraíso talvez ainda estivesse por aqui, e não perdido em uma transcendência qualquer cercada por arcanjos furiosos.
Como toda verdade revelada, foi corrompida. A insânia humana de conquista quis subjugar o mundo, todas as culturas que se descortinavam, à sua forma de ver.
Pensam os espíritos corsários que Deus lhes havia dado novas terras para que delas fossem proprietários, ao ponto de fazerem o que bem entendessem por lá. Engano. As novas terras eram novos ares para sanar as chagas de seres que há muito vinham mergulhando a história em sangue.
O novo santo nestes tempos de mundialização deve ser um que não ignora o chamado de Deus para assumir o mundo. Amplia sua visão de irmão para além da gleba, do clã e da ordem. Sacrifica seus rituais em favor do necessitado. Reencontra Deus para além do santuário. É aventureiro como todo santo deve ser, já que sair de si para encontrar Deus, em qualquer época é arremessar-se em um mar bravio a nado.
Espírito Santo segundo o Espiritismo
Papai, que foi catequisado em cidade do interior do Ceará, afilhado de Padre Cícero, médico, um dos melhores de sua turma, muito sabedor de história, leitor contumaz de livros culturais, me confessava não entender muito a tal da santíssima trindade. Tendo me iniciado no espiritismo, passou a incumbência desta compreensão para mim.
Mesmo sendo uma seita herética em relação à igreja católica, entendo que não devamos desprezar a experiência da crença de toda uma história da comunidade cristã. O Espírito Santo e a Santíssima Trindade da qual ele participa são símbolos muito significativos onde todo aquele que se quer cristão, ainda que herético, deve se situar.
Já vi no movimento espírita se dizer que o Espírito Santo seria a plêiade de Espíritos superiores comunicantes que trouxeram a revelação espírita ao mundo. Seriam, portanto, Espíritos santos. Podendo ser tido como uma pessoa apenas simbolicamente, isto é, uma comunhão de Espíritos. Dizem ainda que as três pessoas da trindade não seriam consubstanciais. Pai originou filho que originou os Espíritos santos*.
Como a trindade é um dogma fundamental, vê-se já por aí que, ao contrário do que Kardec imaginava em 1862, não dá pra ser espírita e católico ao mesmo tempo.
Diz, contudo, o próprio catecismo da igreja católica do ocidente que "a tradição oriental exprime o caráter de origem primeira do Pai em relação ao Espírito" (art. 248) e que Este se origina Daquele a partir do Filho. Então, já que nem as igrejas católicas se entendem, acredito não estarmos cometendo tão grande pecado em discordar também e manter a posição: Pai origina Filho que origina Espírito Santo.
Não creio, todavia, que o Espírito Santo seja os Espíritos santos, pois a grandeza do que a tradição cristã entende por Espírito Santo está em algo difuso que antes falava pelos profetas e após a promessa de Cristo do Paráclito passaria a estar para sempre entre os discípulos os conduzindo. O poder que essa descrição tem ultrapassa e muito essa ideia de uma legião de Espíritos norteadores. É como se fosse um poder de Deus capilarizado pelos seus filhos.
O que seria, então, o Espírito Santo?
Ouso levantar a hipótese de que seja algo em nós de divino que Jesus despertou ao deixar seu rastro histórico. Está fora de nós e em nós ao mesmo tempo. É como um cordão umbilical renovado que nos religa (religião) a Deus. Ele nos permite prodígios e é o que torna possível a caminhada para a salvação.
Os que se denominam portadores da mensagem esotérica cristã sempre falaram da dimensão da doutrina do Cristo que não nos queria salvar de fora, mas que nos devolvia o poder de salvarmo-nos a nós mesmos.
Encarando assim o Espírito Santo, isto é, esta força beatífica que nos envolve e nos invade, despertada por Jesus, acredito que as duas visões se reconciliam: Jesus nos salvou acordando o poder salvífico em nós. A mediunidade é apenas um átomo desse poder, outros tantos surgirão, outras tantas forças hoje tidas como parapsíquicas, o homem novo, o homem-psi, ou ainda melhor, o homem santo que vai acordando gradativamente para sua inalienável imortalidade.
sábado, 6 de janeiro de 2018
O discurso demoníaco deve ser calado a todo custo?
Na postagem passada falei sobre o discurso demoníaco que a ciência busca combater, restabelecendo a verdade divina. Todavia, outra questão que se deve considerar é se o discurso demoníaco deve ser calado a todo custo, ou, em outras palavras, exorcizado.
A posição espírita é diferente da do exorcismo. Se é verdade que o este discurso é identificado com a crueldade absoluta, por outro lado o que chamo de discurso demoníaco não se encarna por inteiro no ser humano. Ele é como uma ideia transcendental, uma categoria analítica necessária para entendermos certos movimentos da realidade. Kant falava assim da ideia de Deus, de sua necessidade para entendermos o movimento da ciência como legítimo.
Assim como não há Deus encarnado no homem, abstração feita da crença cristã a respeito da existência histórica de Cristo, não há o demônio. O que encontramos é sim o divino e o demoníaco tomando mais ou menos espaço no coração das almas de forma flutuante.
A cosmovisão espírita endossa a judaico-cristã:
O divino é perman-ente, e o demoníaco é transi-ente.
A esfera em que imaginamos Deus é superior a em que transita o demônio. O que isso significa? Que qualquer ação demoníaca é passageira. Por outro lado, o homem tem vontade de Deus, e qualquer vontade demoníaca que o mova nem é perpétua nem é forte o suficiente para superar a vontade divina a longo prazo.
O que se vê, então, é o movimento demoníaco sendo um caminho alternativo ao divino, porém sem possibilidades de determinar o destino do homem. O livre-arbítrio permite o clinamen, mas Deus atua para o retorno. É o que se chama, na tradição cristã, de ação salvífica de Deus.
O exorcismo como atitude castradora da ação demoníaca não é o caminho do espiritismo, mas o diálogo com o que de mal se manifesta no discurso a fim de redirecionar o indivíduo, encarnado ou desencarnado, para o bem.
O discurso demoníaco deve ser calado a todo custo?
- Não. Deve-se compreender quais as condições que permitiram sua instalação e, sem muitas delongas, reconduzir o indivíduo para caminhos de reencontro com a vontade de Deus.
sexta-feira, 5 de janeiro de 2018
Ciência como denúncia contra o demônio
Por que tanta crítica e desconfiança tanto na filosofia quanto na ciência? Por que tanta rigorosidade metódica para extrair a verdade dos fenômenos? Por causa do discurso demoníaco.
Talvez você dissesse: "não, é pelo soberano bem, pela felicidade suprema". E nada disso, nem o soberano bem, nem a felicidade suprema, não fariam sentido suas buscas se não houvesse o demônio.
Não estou falando necessariamente de uma entidade antropozoomórfica que espreita a queda do homem, mas sim de tudo o que espreita a queda do homem.
Se de um lado a tradição cristã colocou Deus como Aquele que preparou para seus filhos o paraíso, de outro, enxergou uma divindade menor que serpenteia a natureza humana calcando sua perdição. São duas forças metafísicas ativas: uma oferecendo a salvação, a outra, o contrário.
É mais condizente com a realidade circunvizinha entender estas duas forças como existentes do que definir uma pela ausência da outra. O holocausto nazista não se sobressaiu em crueldade pela mera ausência de democracia.
O que seria a força demoníaca, então? Todas estas ações com força própria que levam o homem ao mal: a trapaça, a mentira, a ganância. Não entraria aqui o engano, por exemplo, pois este não é uma força ativa, mas o deslize de alguma força.
A filosofia e a ciência, pois, não se esmeram em extrair verdades da pedra apenas pelo gosto lúdico de acertar. Elas querem salvar almas, e sabem que uma mentira que se propaga propositadamente como verdade é geradora de morte, merece, pois, ser questionada e desmascarada. Sabe que a trapaça se imiscui entre os fatos, e que é preciso denunciá-la a fim de que não faça vítimas.
Um artifício demoníaco que se incrustou nas ciências humanas foi a defesa de que não há verdade, apenas interpretações. Este subterfúgio permite que o discurso demoníaco seja acolhido como mera perspectiva. As ciências exatas não caem de todo nessa falácia, e é ainda o que nos permite estar vigilantes.
Eis um fundamento metafísico da filosofia e da ciência que ignoramos, mas sem o qual não podemos entender a energia movente de muitos cientistas e filósofos genuínos.
Qual o incoveniente de se construir uma doutrina em torno de um médium?
Tive vontade de escrever esta postagem porque é disso que se trata alguma parte do posicionamento de certos antropósofos com quem venho tendo contato, mas também boa parte do movimento espírita que, sem dar valor à obra de Kardec, vai fundamentando seus conhecimentos apenas em romances mediúnicos.
Vamos começar por este ponto: o médium pode trazer informações falsas ou frutos da própria imaginação. Quando assim é, não é difícil de entender onde está o inconveniente.
Digamos, porém, que o médium traga apenas informações aparentemente boas, justas e belas, e que a própria imaginação não tenha causado interferência. Como saber se são, de fato, boas, justas e belas se não pelo olhar crítico das pessoas?
No primeiro caso seria uma doutrina fundada na falsidade, no segundo, na possibilidade da falsidade.
Vamos avançar e considerar que o médium possui um desenvolvimento intelecto-moral tal que consiga controlar o teor de suas comunicações e mesmo acessar os "mundos superiores" sem se perturbar. E que ele, ainda, tem a virtude de passar estas informações de forma clara e precisa. É o que parecem considerar certos antropósofos em relação à Rudolf Steiner ou muitos espíritas em relação à Chico Xavier. Qual o mal disso? É que, nesse momento, a verdade flerta com o poder de forma muito perigosa.
Uma tal pessoa, portadora desta aura de verdade, imporia suas concepções facilmente sobre muitos. Qual o problema se for a verdade mesmo? O problema é que, como Kardec bem considerava, não temos condição de saber a verdade de uma revelação apenas pela índole do médium mas apenas após a análise do conteúdo da mensagem, isto é, a verdade passa pela interação do médium e do ouvinte em pé de igualdade e respeito. Considerar como verdade qualquer informação emitida por um sujeito pretensamente portador de autoridade intelecto-moral é dar o pescoço à uma possível guilhotina.
O projeto socrático consistia exatamente em ensinar às pessoas a, analisando as questões por elas mesmas, chegar a verdades construídas em diálogo que tem a força de apaziguar as exigências de dois espíritos sequiosos de verdade. Saíamos, assim, de uma monarquia para uma democracia.
A natureza humana não comporta ainda estas perfeições projetadas em muitos médiuns e gurus. Toda monarquia guarda em si a corrupção do totalitarismo, e a democracia, a da demagogia. Aquele que se arvora portador de uma verdade limpa extraída de mundos superiores contra a qual ninguém pode se levantar está mais para um déspota ou demagogo do que para novo messias.
De outro modo, me parece que Steiner dava muito valor à filosofia da liberdade, pedindo para que todos os indivíduos analisassem suas verdades com o cuidado necessário, e Chico Xavier nunca tentou ser chefe de doutrina, sempre submetendo suas revelações ao evangelho de Cristo e às obras básicas de Kardec. Assim deve ser.
O esoterismo da escola do meu filho
Estou tendo acesso a literaturas esotéricas, principalmente porque meu filho estuda em uma escola cujo fundador da proposta, Rudolf Steiner, foi um alemão imerso nestes conhecimentos.
O que me encanta na pedagogia é muito do que os tempos pós-modernos estão precisando: menos pressão, mais respeito pelo ritmo da criança, mais arte, mais investimento na sensibilidade, no entendimento estético, mais corpo, mais movimento, mão, suor, sujeira. E, particularmente bem evidente nas obras Steiner, o desenvolvimento do olhar místico, ou simbólico se preferir.
Há toda uma corrente filosófica originada do romantismo alemão que aponta ser o entendimento da vida e das pessoas através do sentido estético o futuro da humanidade. Entenda-se futuro não a utopia ingênua, mas o que é necessário ainda acontecer para conseguirmos apaziguar muitos conflitos atuais - presentes.
O filósofo Luc Ferry, bastante influenciado pelo pensamento alemão, havia dito que a grande questão contemporânea sobre a qual a filosofia mais devia se debruçar era o problema do gosto para era democrática, isto é, de como a arte possibilita um entendimento entre as pessoas por caminho diverso ao da razão. Ora, as grandes guerras mostraram que a razão não parece ser um preventivo ideal contra o totalitarismo. A Alemanha e a Itália eram nações muito cultas. Pelo contrário, parece mesmo favorecer: a razão que quer engolfar tudo, dar conta de tudo, saber tudo, entender tudo, subjugar todos à verdade do Partido. Se o gosto tiver o mesmo poder de permitir entendimento entre os diferentes, seria uma força política mais sã? Permitiria o crescimento sem guerra? Essa é a questão!
Já sou bastante herege por ser espírita para criticar quem quer que fuja da norma católica, mas várias questões me inquietam no esoterismo steineano:
1. A falta de um método claro que permita o compartilhamento, e portanto a crítica, universal da verdade que se prega
Steiner quis ultrapassar isso tentando iniciar as pessoas em sua forma de ver o mundo, ou melhor, os mundos superiores. E em algumas palestras ele é bem duro com os interlocutores dizendo, por exemplo, que se a pessoa não teve o resultado esperado segundo o que pregava sua "dica" é porque ela não fez direito.Vá lá que esse é o mesmo argumento que meus professores de medicina carrascos davam aos alunos que não chegavam a um certo resultado dentro do laboratório. Mas, não é do totalitarismo que estamos querendo escapar? Para que Auschwitz não se repita...
O espiritismo diz que esta visão dos mundo superiores não se alcança por esforço. É uma possibilidade dada por Deus em certa encarnação, a que poderíamos chamar de dom. Não seria Steiner portador de tal dom e queria ele que todos o fossem forçosamente? Kardec achava que tal esforço só poderia originar produtos da imaginação. Daí outro ponto...
2. O exagero de revelações
O espiritismo já havia provocado uma ruptura com a tradição católica que rezava ser apenas, e unicamente, através da aceitação de Cristo, com a consequente e necessária adesão à sua igreja apostólica romana, o caminho da salvação. O espiritismo vinha dizer que não, que era a caridade.No fundo, olhando a argumentação toda de Kardec, significava dizer que a pessoa que verdadeiramente abraçou a Cristo mostrava o distintivo desta adesão com o esforço de abertura ao próximo.
O que as igrejas cristãs oficiais pregam, devemos buscar entender, é que nenhuma obra substitui a aceitação amorosa da figura de Cristo. Essa aceitação é condição sine qua non de todo o resto.
Steiner faz as vezes de aceitar o Cristo como centro de sua teoria esotérica ou teosófica, ou ainda, antroposófica, mas insere um conjunto de elementos estranhos aos discursos oficiais que, creio eu, perturbam mais do que esclarecem.
Outras incursões, todavia, são muito bem-vindas, por exemplo, a de reconhecer a vida humana como impulsionada por uma força crística, e a história da humanidade, pelo mistério do Gólgota. Sem pudor vai estabelecendo parâmetros para mostrar o que seria o comportamento saudável tanto da encarnação do espírito no corpo, como do progressivo domínio deste por aquele. São voos que nem Kardec nem os Espíritos através de Chico Xavier decidiram dar tão altos. É que, defendia o codificador na sua sensatez, perde-se o ar em zonas tão rarefeitas das esferas das revelações, e as figuras poéticas tomam o lugar da precisão.
3. É possível acessar conhecimentos dos mundos superiores e tê-los disponível ao intelecto encarnado de forma clara?
Steiner fala da "piscina" Akáshica, que seria um todo de conhecimentos bem vivos do mundo espiritual ao qual poderíamos ter acesso em êxtase místico.
Os seguidores da antroposofia advogam que Steiner conseguiu ter fôlego para entrar lá e trazer a coisa bem clara. Por que ele e não João, e não Daniel, para citar autores apocalípticos que trouxeram revelações akáshicas milenarmente guardadas?
O que quero dizer é que a literatura apocalípitca, que mais akáshica não poderia ser, está toda encarnada em um simbolismo profundo que desafia as maiores mentes exegéticas e provoca dissensões escolares. Steiner seria o iluminado supremo que teria ultrapassado a capacidade dos autores apocalípticos de expressarem coisas transcendentes para as mentes imanentes na carne? Sem desprezar a grandeza do homem, acho mais sensato pensar que este grande especialista de Goethe trouxe de lá outras tantas imagens que, ao se encarnarem na linguagem humana, viraram símbolos de portentoso valor. É o mesmo que acredito acontecer com outros tantos romances de Chico Xavier. Tomamos eles ao pé-da-letra para melhor lê-los, mas não os deveríamos levar a ferro e fogo, senão extrair a essência das lições morais que permeiam aquelas cenas.
Por fim...
Queria pontuar, que, apesar destas considerações, a ciência espiritual de Steiner é muitíssimo intrigante. Uma mente prolífica que saiu espalhando milhares de conferências sobre os mais variados assuntos em um mundo entreguerras, semeando verdades inquietantes nos mais diversos terrenos (medicina e terapias diversas, arquitetura, agricultura, religião, pedagogia, dança, pintura, política), e que frutificaram angariando adeptos fervorosos.Assim como Chico Xavier, renegado pela ciência oficial, este é outro médium que precisamos estudar com calma.
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