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terça-feira, 9 de janeiro de 2018
Criança
Quando os entendidos falam do alto de seu Eu que o nosso eu é vão, dá-me vontade de rir. Um Eu que fala a outros que eles não prestam é um dominador. Mas, quando vem o pecado em mim e, apesar de todas as minhas defesas contra a depressão, caio, a Virtude suprema, o Eterno bem e sua Pessoa me vem a mente, um verdadeiro Eu para quem sou nada. Porém, me tens como filho, me acolhes do infinito, em Ti me recomponho. A experiência das crianças é a mais honesta que se pode ter, quando somos humildes.
segunda-feira, 10 de julho de 2017
A violência
Vês que, vez ou outra, explodo. Bem menos do que ainda tenho pólvora em mim. A busca de santidade carrega essa sombra. Dizem que é por causa dela que a santidade é um conceito vazio, e ela seria a realidade. A santidade seria o esforço de escapar. Mas, se é assim, por que o remorso? Se a violência me puxa para baixo, o remorso parece me identificar com o alto. Ele é ressentimento da queda. Re-sentimento... como se eu já tivesse algum dia experimentado os círculos santos, e me apaixonei, e deles sinto saudade. Não acredito na queda primeva. O que posso conceber é que Deus me habita, ainda que violento. Deus habita, por vezes, de forma violenta, não é? Chega o dia em que Se cansa e arrasta o filho adiante, golpeia-lhe no chão, e diz: "Fica aí! Cala-te! Aprende!". A serenidade: a obediência da Ordem. Antes, de bom grado.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Diálogo de crepúsculo
Os ateus andam se apossando de meu espírito. O desprezo pelos rituais, o incômodo com falas igrejeiras. Não quero ler o evangelho semanalmente, pensando receber bençãos. Me cheira a magia. Convidei minha esposa a falarmos do dia todos os dias, com respeito - a escuta. Por que esse diálogo amoroso de crepúsculo seria menos divino? Penso em ser mais amigo de meus amigos. Por que essa doação seria menos nobre que qualquer esmola? Os ateus, posseiros de meu espírito! E o coração sofre com essa invasão. Mas, a crença em Deus está a salvo!
segunda-feira, 7 de julho de 2014
O verdadeiro consolo
Não deverias ter inveja das coisas boas. O alento que desce sobre os outros é uma parte da vida que se mostra, a outra é sofrimento. Todos são assim, meu Espírito. Se às vezes te consolas com a miséria alheia, este consolo é ainda uma outra miséria que carregas em teu coração. Não é um altruista verdadeiro aquele que precisa entender que o outro sofre para considerá-lo irmão. De outro modo, é difícil enxergar um irmão em quem te é superior. Basta, portanto, que teus olhos se percam para além das hierarquias e se achem neste universo onde bons e maus são simplesmente trabalhadores de uma mesma seara: a da lavoura de si para a felicidade eterna.
quinta-feira, 22 de maio de 2014
À prepotência
Aí estás, prepotência! Sabes que não te deixo velada por muito tempo sob pena de que cresças em mim. Quando vens com teu rebuliço me fazendo cócegas, me levando às náuseas, te vomito. É do que meu coração se encheu, não? Pra fora! Como poderei me reconciliar contigo diante do altar da criação se te largo escondida aqui dentro. Não! Mostro-te ao sol como quem eleva um filho. Não é um ritual de sacrifício, mas de integração. O mesmo contigo, orgulho, e contigo, vaidade, e contigo também, soberba. Não fique ninguém com ciúmes!
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Pés de barro
Tome cuidado, meu Espírito. Tu fostes elevado pelos humanos sonhos a um altar que não te pertence. É dos sonhos humanos este altar. Teus pés de barro, não deves esquecer. Mais dia, menos dia alguém os quebrará. Menos sofrimento será se o já tiveres feito antes. Mantém esta alma na tua lama. Não porque sejas verme, mas porque aí o barro é maleável para a vontade das mãos do Grande Oleiro. Se o contrário acontecer, e te deleitares com as honras que te ofertam, não surpreenda-se com as lágrimas de sangue que escorrerem pela tua face apedrejada pelos escombros de ti. É com esse sangue que serás renascido no humilde lugar de ser o que se é - tua manjedoura.
domingo, 7 de abril de 2013
Antes o amor que a serenidade
Esta semana, meu Espírito, você passou por uma turbulência com sua amada. Algumas imperfeições dela lhe perturbaram o coração e você ruminou em silêncio até onde pôde. Mas, não! Não se atenha calado quando a discórdia lhe assalta o peito. Mas, nunca, todavia, fale rápido demais quando a sua palavra ainda estiver pontiaguda a ponto de ferir a quem você ama. O meio entre o silêncio e a fala é o caminho que você deveria achar. Contudo, boa coisa já faz quando a ama imensamente. É por causa deste apaixonado amor que a sua serenidade é incompleta, mas que seu sorriso é mais sincero, mais alto. Não se apresse em querer a perfeição para logo, corra antes para amar ainda mais. E não se afaste de sofrer por esse amor, porque essa foi a maior lição que o seu Mestre legou. Fez bem em ter falado com calma e razão na medida em que não se eximia em agir em busca de solucionar as perdas. Dorme tranquilo ao lado dela e do filho que ela guarda, o pior já passou... sempre passará.
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