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sexta-feira, 8 de março de 2019

Amiga diz que sua filha nasceu com múltiplas deficiências



AMIGA: Allan! Como vc está? Quanto tempo! Sabe, esses dias eu me vi pensando sobre nossas conversas sobre religião e o sentido de muita coisa, sobre os problemas da minha avó que não sei se vc lembra. Allan, quanta dificuldade a vida tem, e quanta força temos que ter para continuarmos felizes! Minha filha nasceu com múltiplas deficiências. E eu tenho muita fé em Deus e penso que deve ter sentido tudo tão intenso acontecer na vida. Não sei pq estou falando isso, talvez porque sempre te vi com tanta fé. Rezo para a minha aumentar todo dia. Espero que esteja tudo bem com sua linda família! Um grande Abraço!

ALLAN: Que saudade das nossas conversas! Não sabia sobre as deficiências da sua filha. Meu núcleo familiar mais próximo (eu, Mia e as crianças) está bem, mas quando começa a se afastar desse circulozinho as coisas estão desmoronando. Não cabe eu detalhar pra você. Às vezes dá uma trégua, e eu penso, deve se estar dando um fôlego porque vem chumbo grosso pela frente. Daquela nossa conversa (2006) para cá, vi tantas dores nos seres humanos. A profissão me fez ficar próximo de tantas mazelas humanas, que a fé chegava a estremecer. Dia desses me vi sendo interpelado por um amigo que queria entender porque o ano de 2019 estava começando com tantas bombas (incêndio, morte, destruição). Ele tinha perguntado porque sabia que eu era espírita e gostaria que eu conversasse com ele como naqueles dias que conversei com você, mostrando caminhos de consolo e, apesar de tudo, grandeza na Criação. Veja só: eu titubeei em falar, minha fala falhou. 

Ainda sou espírita, e muito, mas tenho abraçado um certo espiritismo sombrio, um que entende a onipresença do sofrimento no mundo e aceita o mistério de Deus. Faz tempo que não converso com Deus, com devoção e carinho. Tenho passado a ideia de Deus para meus filhos, em pequenas preces noturnas antes de eles dormirem, em frente a uma vela que queima lentamente enquanto rezamos preces decoradas. Sempre tive críticas sobre preces decoradas. Sempre fazia questão de improvisar as palavras. Hoje não mais. É como se o espírito estivesse cansado do meu próprio verbo e cedesse às palavras sagradas da boca de santos, que puderam mais do que eu na passagem pela Terra. Quatro principais embalam o sono das minhas crianças: Pai Nosso, Avé Maria, Oração ao Anjo da Guarda e Oração ao Divino Menino Jesus. Houve uma época até que tentei rezar o terço. Não suportei a repetição. E certamente isso fala menos contra o terço do que contra minha disciplina diante de Deus. 

Vou te falar um pouco sobre duas faces da vida. Tem uma que é bem lógica e é o que aprendemos insistentemente no espiritismo mais prosaico: tudo tem um porque. Lemos os romances psicografados por Chico Xavier, e lá as revelações das conexões dos nosso sofrimentos são bem claras com ações que fizemos no passado. O mundo há muito é quebrado, e sempre esteve nas nossas mãos deixar de quebrar e passar a consertar. Sua avó, sua filha, meus parentes que sofrem são reflexos de todo esse movimento. Ajudamos se não quebramos ainda mais o que já vem trincado. Tem outra face que é a do amor de Deus, infinito porém obscuro. Se Ele tem todo o poder, como Ele deixou tudo isso acontecer? Obscuro. Parece racional aceitarmos as teses propostas pelos romances espíritas de uma lei que nos chama a responsabilidade do mundo, mas às vezes parece pouco consoladora essa visão matemática. Sabe o que me consola mais nesse amor infinito e obscuro de Deus? É que é direcionado especialmente para mim, para você, para cada pessoa em particular. A imagem mais forte desse amor é a do Jesus abandonado. Ele era Deus, ou para os espíritas, um deus, e sua dedicação era tal que deu sua própria vida para ajudar cada pessoa que nele confiou (fé=fides=confiança). A imagem de Jesus é a de um deus quebradiço, mas que foi até a última gota alguém que esteve conosco, do lado. Essa imagem ressurgiu do sepulcro como um amigo que mostra as chagas e continua dizendo: vou ao Pai, mas estamos juntos. 

A encarnação do Cristo na Terra fala mais ou menos assim: "Eu sei de todo o sofrimento pelo qual você passa! (Veja que ele não fala para uma comunidade, mas para cada pessoa em particular, direto ao coração). Eu passei por algo assim também. Decidi sair das mais altas esferas da felicidade incorruptível para ser junto de você. Ao morrer e ressuscitar, eu quis dizer, não tema. Lute, continue, persevere, e em breve, parece um infinito, mas em breve, você estará comigo, em paz, do meu lado, no meu abraço." Ele se dirige a você e a sua filha. Fala ao ouvido de cada uma de vocês. E vendo Jesus falar assim, dá um ânimo que, para além de qualquer lógica, nos faz querer ser pelo ser amado que sofre o que ele foi por cada um de nós: alguém que abdica da própria felicidade, que se quer incorruptível, para apaziguar uma dor.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

(Parte 2) Diálogo com um jovem pensando em suicídio



[Do diálogo passado ele filtrou que eu houvera ratificado seu estado de desconectado do mundo. Assim vinha sendo a maior parte de nossos diálogos. Eu falava um mundo de boas coisas, ele ouvia o local que mais se afinava com a depressão. Voltou a me procurar.]

Estou perdido. Me ajude. Não sei para onde ir. Não faz mais sentido nada do que vinha fazendo. Não vejo sentido em fazer qualquer outra coisa. 

Preciso que você tenha pelo menos alguma esperança antes de lhe orientar qualquer norte. Como está seu tratamento médico? 

Estou em uso de quatro drogas. Já estou mesmo em eletrochoque e não vejo melhora. 

Nada? Nenhuma mudanca sequer?

Pra falar a verdade - tenho até vergonha de confessar - antes, acordar para mim era um suplício, porque acordava mais um dia de nada a melhorar. Nos últimos dias (já se foram seis sessões de eletrochoque), uma nesga de esperança reacende ao amanhecer, mas me vem um medo de dar tudo errado, e me vem uma angústia de que, melhorando, as pessoas que cuidam de mim me abandonem. 

[Esqueci de dizer para ele que vi nessa fala três sinais de melhora: 1. a esperança; 2. o reconhecimento de que é cuidado; 3. o medo de perder as pessoas. Dias antes havia dito que tudo lhe era indiferente como parte de sua síndrome de desconexão do mundo.]

Amigo, sei que pode parecer difícil, mas cada vitória tem que ser festejada, por menor que seja. Sua mente veio sendo esmagada pela ansiedade da vontade do mundo. Essa vontade traz um passado que pesa e um futuro que cega. Permita-se viver hoje. Lembra-se da prece do Pai Nosso? "O pão nosso - de cada dia". Permita-se recomeçar hoje e esteja aberto, seja grato - por cada dia. 

Meus pais querem que eu retome tudo e venha a ser o que eu vinha sendo. Mas, tenho ódio do que eu vinha sendo.

[A automutilação a que vinha se submetendo, cortando-se em partes não letais, parecia ter três motivos: 1. sentir que ainda podia sentir alguma coisa; 2. mostrar que odiava a si mesmo; 3. punir-se por tudo o que estava acontecendo. Perguntei se também era uma forma de maltratar seus pais. Ele me disse que não.]

A tradição cristã (e não só ela) nos dá uma perspectiva extraordinária dos renascimentos. Todo convertido tem seu passado esquecido, ganha um novo nome, para recomeçar a vida redimida. O Espiritismo revela que isso acontece mesmo entre vidas: esquecer o passado, ganhar novo nome, recomeçar nova vida. O que vinha sendo a sua vida era odiável? Recomece, pois! Quando suas forças renovarem, Deus permitirá que o passado volte para que dê conta dele. Mas, então, será um outro homem, mais forte, mais sábio, enfrentando o homem velho. 

Sobre seus pais, parece que vem chegando a hora de você se tornar homem e ter suas próprias decisões, arcar com o seu sim-sim-não-não. Digamos que esse enfrentamento te custa ainda muita energia. Então, calma, respira fundo, recomponha-se, persista no tratamento, e seja grato pelo "pão nosso - de cada dia". 

Às vezes penso que eu vim errado pro mundo. Que sou um erro. 

Atualmente, duas grandes visões dominam nosso horizonte ocidental: o Grande Deus Todo Bom e Todo Sábio e o Nada sartreano. O primeiro não comete erros, o segundo não gera nada. De um jeito ou de outro, não há como você ser um erro. Ou você não encontrou seu caminho ainda (o caminho certo que Deus reservou para você), ou você é o autor do seu próprio caminho. De todo modo, a busca de se encontrar é a mesma. 

Diálogo com o Espírito que o induz ao suicídio


Parte de sua sombra está esmaecendo. O garoto entrevê esperança ainda que distante. Queria pedir para não se enfurecer com isso. Da mesma forma que ele pode emergir das trevas, você também pode. 

Vamos pensar no depois. Ele morre e se torna seu subjugado. E depois? Você o tortura de mil formas físicas e verbais. E depois? Você o joga no deserto das aflições para que aves de rapina o devore. E depois? 

Em ele sendo imortal, cai-se no tédio. Depois dele, haverá algum outro na sua lista de caçados? Que qualidade de felicidade é essa sua que se ergue sobre a infelicidade alheia?

Desejo que o manto do ódio que encobre sua visão também esmaeça e que você passe a ver, ainda que distante, a plenitude da vida para além destes mesquinhos acertos de conta.

Deus aceitaria um demônio em seu Reino?

Um demônio não, mas você, um filho temporariamente equivocado, certamente. 

* Texto baseado em um conjunto de diálogos com pessoas em sofrimento atendidas ao Lar Espírita Chico Xavier.


domingo, 23 de outubro de 2016

Diálogo com um jovem pensando em suicídio



Sinto-me deslocado. 

Essa sua sensação de já não estar entre nós, ver tudo passando como um filme chato, seus sentimentos ilesos ao que acontece conosco, é parte dessa verdade de que você é um Espírito para além deste corpo. Seu Espírito parece estar deslocado. O corpo emite sinais ao Espírito distante.

Se isso fosse apenas um vôo, te pouparia da minha fala. Mas, se anda gerando vontade de morte, não posso me abster de tentar te convencer do contrário. Toda vontade de morte é doença. Precisamos ir em busca do que te devolve vida, potência de existir.

Por que insistir em mim? 

Conheço seus familiares. Estão aflitos. A aflição em perder alguém é uma das formas de amor. Um amor que se acalma com a presença do ser amado. Sofre com a distância. Há, de outro modo, nas nossas crenças (e na comunicação dos Espíritos), a ideia de que não é boa coisa tirar deliberadamente a vida. O estado de alma depressivo se perpetua depois da morte. Esse inferno na consciência permanece e queima na pele do Espírito como se estivesse em carne viva.

Por que Deus fez um universo com sofrimento?

Não sei. Sério. Não sei. Ainda não consegui entender completamente a cabeça de Deus. E, sinceramente, não sei se conseguirei nos próximos dias. O universo que Deus fez é este aí que estamos vendo. Há belezas estonteantes que a sua visão cinza atual não enxerga. E há a feiúra que sua visão acizenta mais do que deveria. Queria te convidar a pintar os olhos. Não se pode colorir a feiúra, mas há quem peleje por saná-la. Agora não. Mas, podemos vir a ser destes últimos, um dia.


Diálogo com o Espírito que o induz ao suicídio


Você não aparece. E se mistura nos pensamentos do rapaz como se fosse os dele. No início até poderia se distinguir, mas hoje a relação que você conseguiu construir é tão emaranhada que o pobre pensa serem uma só e a mesma pessoa.

Não posso te censurar. Sinto que vocês dois se amaram muito em outra vida. Um amor traído, não foi? Hoje virou vingança. Ainda é amor, não é? Mas, adoecido. 

Se ao menos ele acreditasse em reencarnação e que os Espíritos podem atuar em nossa vida, eu poderia convencê-lo a lutar contra você ou te perdoar e pedir que se pacifique. Mas, não acredita, e pensa que tudo o que chega no coração vem dele mesmo. Sente-se mau por pensar em se matar, em se cortar, em se intoxicar. E ser alguém mau o fere ainda mais do que a faca. 

Por que Deus permitiu que nós nos reencontrássemos e déssemos seguimento a essa simbiose de morte? 

Suponho que Ele queira ver os filhos se entenderem. Que os nós sejam desatados por nós. 

Vê. Você não é um demônio. É apenas alguém precisando ser amado. E será. 

(Continua)


* Texto baseado em um conjunto de diálogos com pessoas em sofrimento atendidas ao Lar Espírita Chico Xavier.

  




sexta-feira, 6 de março de 2015

Entrevista para Associação Brasileira de Artistas Espíritas




1. Como você se envolveu com a atividade artística espírita?
Sou cria de espíritas. Frequento os centros desde a infância. Na juventude, me encantaram duas coisas: a evangelização de crianças e a arte como instrumento de evangelização. Desde então, venho associando esses dois elementos como norteadores do meu momento encarnatório: evangelizar as crianças, que todos nós somos, através da arte. Tenho fortes laços com o teatro, mas também, e a quase todo instante, com a poesia.

2. Como você define a arte espírita?
Eu gosto muito da definição clássica de arte: a manifestação do inteligível na matéria do sensível. Essa definição não vem de nenhum espírita, mas vejo o Espiritismo todo nela. O que é o inteligível do Espiritismo? O Bem, o Justo, o Belo e, coroando todos eles, o Amor. Manifestar estes elementos eternos na matéria sensível é a que se destina qualquer arte espírita, qualquer vida espírita, apontando a grandeza do Criador e revelando o otimismo da existência para qualquer um que se depare com nossas obras.

3. Você já escreveu várias peças espíritas, algumas delas inclusive já montadas por grupos, como o LEMA. Poderia comentar como é o seu processo de criação?
As ideias se me apresentam pelos motivos mais cotidianos. Dia desses me encantei com uma ciranda, e nos meus olhos uma trama de amor, preconceito e luta por reencontros se desenrola em um átimo. A ciranda crescia em espiral e cindia a realidade em duas dimensões por onde flutuaria a história. Quando, dou por mim, o espetáculo termina, mas meu espírito ainda vaga pelas lembranças para onde a atenção foi deslocada. A esposa chama a atenção para o meu retorno à realidade. É quando, eufórico, começo a contar para ela a ideia que tive. Digo “que tive”, porque geralmente quando eu digo “que me disseram” ela acha que estou fazendo charme, fingindo desprezar uma pretensa genialidade. Acho, de fato e com muita intensidade, que somos seres interexistenciais. O problema é que estamos de tal forma enredados em uma cultura material que acabou por nos convencer que o existente é apenas o palpável. Mas, como diz um sociólogo de que gosto muito, Boaventura de Sousa Santos, estamos dominados por uma monocultura de saberes que produziram a inexistência de outros muitos saberes e formas de ver o mundo. Um verdadeiro desperdício de experiências. A última poesia que escrevi para um amigo melodiar surgiu em minha mente minutos antes de eu dormir em um plantão médico. A peça que considero até agora de minha maior maturidade medianímica, “O Auto da Terra do Pé Rachado”, foi construída em ciclos sucessivos de vontade angustiante por escrever. Três desses ciclos me deixaram insone até que o que tinha de ser escrito o fosse de fato. A peça mais gostosa que fiz para a juventude de que participava, “Ser ou não Ser-tão médium” se enganchou no meio da trama. Fui dar um passeio para desanuviar a mente quando sinto a presença arrepiante do personagem a quem eu não sabia dar um desfecho. Junto com a presença, o resto da peça.

4. Além de dramaturgo, você também atua, e um trabalho a ser destacado é o de doutores da alegria. Poderia nos contar sua experiência nessa área?
O mais certo de se falar seria doutor palhaço ou palhaço visitador de hospital, porque Doutores da Alegria já é uma marca registrada de um grupo que admiro muito. O trabalho deles é tão bom e reconhecido que vale como metonímia pra todo esse fazer. Não tenho formação de ator profissional. Toda a virtude que venho aprimorando nesse sentido deve ter vindo comigo e permitido se mostrar desde vidas passadas, estimuladas pelas atividades de mocidade espírita, incrementadas pelos grupos de teatro não-espíritas e espíritas de que já participei. Na faculdade de medicina, tive um receio forte de estar gastando energias com outros labores. Abandonei teatro e evangelização infantil, mas logo percebi que eram energias diferentes. Então, surgiu a oportunidade de fundar um grupo de palhaçoterapia na faculdade. Hesitei inicialmente, mas aceitei. Hoje o grupo, que se chama Projeto Y de Riso, Sorriso e Saúde, está para completar dez anos de serviço profícuo, com vários trabalhos apresentados em congressos, cursos para os desejosos de criarem grupos de palhaçoterapeutas em suas faculdades, e mesmo prêmios pela iniciativa. Estou imerso nos últimos meses na confecção da dissertação de mestrado sobre esse projeto, intitulado: “O espírito do Doutor palhaço: palhaçoterapia e produção de saber em espiritualidade e humanização em saúde.” Tento aí mostrar a descoberta que tive do quanto o elemento espiritual se enreda com a vontade de humanização.

5. Você também desenvolve oficinas voltadas a estudantes da área da saúde. O que se pretende nestas oficinas?
Despertar dimensões do espírito adormecidas pela mecanização da profissão. Faço isso em linguagem completamente não-espírita, mas que acaba espiritualizando para além do que aconteceria se abusasse de nossos jargões. Um dia, um dos jovens participantes das oficinas me falou: “O que acho mais incrível é o quanto você só fala de palhaço, mas serve para a vida inteira!”. Abordamos o tempo especial do gesto, a necessidade de encontrar o ritmo do outro, a atenção dilatada para captar os menores movimentos da vida, a máxima energia para gerar o mínimo, mas denso, momento de beleza, a afinidade da ordem do riso com a da graça, da leveza, com a ordem de tudo o que demos para chamar de espírito em oposição à gravidade, ao peso da matéria, esta grande seriedade. A partir daí, puxar os conceitos de humanização da assistência em saúde, o jogo das relações, a importância do rito e da máscara, da inteireza das interações e, uma particularidade do doutor palhaço mais do que do palhaço propriamente dito, o amor pelo outro como motivo humanitário deste fazer.

6. É fácil conciliar sua atividade profissional, como médico, com o trabalho que desenvolve na área da arte espírita?

Nunca foi. Hoje, menos ainda. Mas, não desisto de tentar. O mestrado, por exemplo, vem consumindo muito tempo. As ideias para a arte me assaltam de vez em quando e tenho que rejeitá-las. Em breve, começarei uma especialização em homeopatia. Pelo o que ando conhecendo desse ramo da medicina, é onde poderei exercer em larga escala o Espiritismo como que reconciliado com a arte de cuidar das pessoas, porque a medicina oficial que hoje praticamos passa por uma séria crise de cegueira sobre as coisas que realmente importam na vida humana. Possuo uma válvula de escape em meu blog sobre filosofia espírita e nas poesias que fico jogando por aí, feito as migalhas de João e Maria para saber como voltar para casa. É como digo na descrição da minha identidade virtual: “A medicina me alimenta, mas é a arte que me nutre. A filosofia me mantém vivo, mas é a espiritualidade que me arrebata.” Seria muito bom se essas frases não tivessem o “mas”, porém o “e”. Todavia, não sinto assim.