sábado, 1 de novembro de 2014

Pena de Morte segundo o Espiritismo



Palestra proferida junto aos companheiros do Centro Espírita Camille Flammarion.*

A defesa espírita é que não deve haver pena de morte. Antes de chegar no argumento espírita capital, extremamente simples, decidi passear por outras razões dessa negativa:


1. Sobre os inocentes


Dei o exemplo de inocentes memoráveis, como Sócrates, que preferiu a morte à fuga, falecendo com a consciência do homem justo, e Janusz Korczak, médico e educador polonês que, tendo vivido à época das guerras mundiais, foi condenado, juntamente com as duzentas crianças do orfanato que dirigia ao extermínio na câmara de gás. Sim, o extermínio dos judeus era um tipo de pena de morte. Eles foram considerados culpados por muitos insucessos político-sociais do mundo, segundo a cartilha nazista. 


2. Sobre a verdade


O caso dos judeus chama uma polêmica que ficou memorável à época. Estariam os nazistas errados? Se eles tivessem vencido a guerra, provavelmente teríamos a visão de mundo deles, pois os que pensavam diferente eram também exterminados, selecionando, assim, os melhores - segundo a cartilha nazista. 

Essa foi uma teoria levantada nada mais, nada menos do que por Levi-Sträuss, grande sociólogo da época. De fato, é preciso que a verdade de um valor ou de um julgamento cresça mais do que o da vida humana para que haja razão suficiente para exterminá-la. Qual o valor é o mais certo? Depende da cultura. 


3. Sobre o semelhante


Boris Cyrulnik, psiquiatra francês, nos diz que basta não considerar o outro semelhante para que se dê a liberdade de cometer violência para com ele. Está explicado assim porque matamos tranqüilamente os animais que comemos, ao passo que somos cheios de escrúpulos (tabu) de matar um ser humano. Quem o faz, um dos motivos é, segundo o psiquiatra, porque já não o considera semelhante. É uma outra espécie, é uma outra raça. 


4. Sobre a imortalidade


Aqui é o argumento espírita capital. A pena de morte não deve ser levada a cabo porque... não se morre. A morte de um criminoso gera, bastas vezes, um espírito vingativo, loucura nas famílias, doenças nos implicados, todos eventos funestos que gravitam em torno do tema da obsessão espiritual. 


5. Sobre a igualdade


Melhor do que todos estes argumentos que citei, o que mais me encanta é o de Jesus, mesmo. Por que não devemos matar um criminoso? Porque somos igual à ele. Ou atire a primeira pedra. Vá lá! Confesse! No fundo, no fundo, queremos matá-lo para ver se matamos ele em nós. Mas, não mata. É preciso que aprendamos a nos reconciliar com os inimigos externos a fim de apaziguar nossos próprios demônios.  

*Se você quiser ouvir a palestra por inteiro, ela está temporariamente disponível clicando aqui.