sábado, 23 de maio de 2015

Sobre sonhos com pessoas mortas (& cia)



"Tive um sonho com meu pai... com minha avó... com meu esposo... com uma pessoa que faleceu logo após... com uma amiga... e ele (ou ela) estava assim... me disse isso... pediu que eu dissesse isso para fulano... aconselhou-me isso... Era muito real!"

Várias pessoas já me abordaram sobre esse assunto. O que poderia significar? 

Quando elas vem perguntar para mim, sabem que sou espírita. Não estão abordando o Allan médico. Então, já supõem o que vou dizer: endossarei a sensação que elas têm de que aquilo foi real, aconteceu de fato. É o que o Espiritismo diz. Quando dormimos, o corpo repousa e o Espírito perambula por lugares onde a vontade, antes de dormir, estava afim. Encontra-mo-nos com pessoas com quem travamos diálogos corriqueiros ou que nos fazem revelações, nos fazem de mensageiros, nos orientam. 

Por vezes se acorda extremamente cansado. Não se deve ter andado por bons lugares. Outras vezes se está leve. Quão prazeroso deve ter sido esse encontro! Quando voltamos para o corpo, a percepção espiritual é perturbada pela densidade corporal, e as imagens tornam-se truncadas, enigmáticas. Muitas vezes esquecemos do que ouve, então dizemos: não sonhei. 

O sonho, portanto, pode ser uma lembrança do que aconteceu com o Espírito enquanto o corpo dormia. Mas, não sejamos radicais, pode ser também algum resquício de atividade cerebral que, então, misturar-se-á com as lembranças da vida espiritual deixando os sonhos ainda mais confusos. Também pode ser o que os freudianos dizem: cenas simbólicas de experiências recalcadas que se reverberam no aparelho psíquico. Todavia, escutem só essa, quando um psicanalista trabalha muito com o conteúdo dos sonhos, um Espírito protetor da pessoa analisada pode mandar mensagens através dos sonhos que ajudem ao psicanalista entender o caso da paciente, dando nortes na condução da terapia. 

Temos que entender a realidade como um emaranhado tecido em que os novelos do mundo espiritual se entrelaçam com as experiências materiais. Dividimos os planos por questão didática, mas a verdade é que as coisas estão tão imbricadas que algumas divisões obscurecem mais do que explicam. Importante, de vez em quando, fazermos esse esforço mental de nos entender como seres conectados em teia. Isso vale para as vidas múltiplas. O passado se engalfinha com o presente projetando um futuro de forma dinâmica. O presente elabora o passado, gerando o futuro sempre mais promissor, reza o otimismo espírita. 

- O que fazer com estes sonhos reveladores? - acho que é o que mais querem saber de mim. 

Sem se fixar na mensagem literal que lhe foi passado, deixar as portas abertas para encontrar o significado que, em momento oportuno, poderá ser utilizado em serviço que se pretendia com a mensagem. Você é um intermediário, o momento certo de utilizar o que lhe foi dado aparece. Importa ir em busca de alguma forma, mas sem muita insistência a fim de que não vire uma obsessão. Quando o receptor estiver pronto, e o meio for oportuno, a mensagem ficará clara.