sexta-feira, 8 de maio de 2015

Pecadinhos



Quando estava na alfabetização, a tia pediu que fizéssemos uma redação de cinco linhas no nosso caderninho de caligrafia. Eu não sabia fazer, não conseguia, não vinha ideia. Papai sentou do meu lado, tentou me inspirar, sugerir, orientar. Eu relutei o quanto pude. Acho que era mais orgulho de não fazer feio. Então, pegou meu caderno, preocupado que eu fosse chamado a atenção, e fez as cinco linhas por mim tentando imitar minha letra. 

Na evangelização espírita infantil, a tia pediu que escrevêssemos uma prece com nossos próprios sentimentos, palavras. Fiquei com receio de fazer algo feio, que não fosse a altura de Deus. Pedi que papai fizesse algo para me inspirar. Ele escreveu uma página linda. Decidi não parodiar. Entreguei a dele. A tia da evangelização perguntou, com olhos esbugalhados, se eu que havia feito (ele tinha feito com uma letra de forma fácil de imitar, poderia ser a minha). Eu disse que sim! Ela foi mostrar para a outra tia, e as duas ficaram me olhando como se eu fosse um Espírito superior encarnado. 

Vejam aí o naipe do Espírito superior!

P.S.: Pensei sobre isso ao ver as cobranças que estava me fazendo sobre a evolução moral de meu filho. Se não sou um Espírito superior, tão pouco sou um dos piores Espíritos que conheço. Saudades de papai! Sua careca me daria muitos conselhos de quem sobreviveu a sete filhos.