sábado, 7 de fevereiro de 2015

Meu filho quer ser católico

Depois de ter começado a expor a sabedoria dos ateus, fiquei me perguntando por que não a dos crentes. Como não tenho nenhum amigo próximo que esteja em conflito com sua fé, decidi, para ficar mais intensa minha fala, imaginar o que eu diria se meu filho decidisse não seguir minha religião.

No marcador Outros Credos vou postar minhas falas para ele.



- Pai, decidi, quero ser católico!

O catolicismo, filho, é uma doutrina muito bela. Demorei para descobrir isso. Quem me ajudou foi sua mãe. Queria saber como ela entendia Deus. 

Bem, a primeira coisa que posso dizer é que, embora o catolicismo tenha um forte braço racional, enxerga que Deus deve ser mais sentido que entendido, mais aceito que estudado. E isso não é ruim... Eu também acredito nisso. É porque Deus é superior a nossa lógica que não O podemos acessar por ela, mas pela humildade, mas pela virtude, mas pela oração. 

A novidade do catolicismo é eles terem visto Deus em Jesus. Esse moço andou pela terra, acalmava feras com o olhar, consolava corações com a presença, curava doentes graves com o toque, sentava em cima de um pequeno monte e falava de Deus e de Sua morada para o povo semeado pelos espaços. De fato, era, no mínimo, um deus.

Os romanos, um povo que morava junto do dele, não tinha problema de ver isso. Para eles os deuses poderiam descer dos céus e andar feito gente entre as gentes. Mas, para os judeus, que era o povo de Jesus, dizer isso era complicado, um escândalo. Não há deuses, mas um só Deus. A carne humana não O agüentaria. Todavia, alguns discípulos de Jesus compraram essa briga. As evidências eram fortes demais. Tudo o que havia nas antigas escrituras sinalizando a vinda do libertador deles (os judeus eram escravos do povo romano, e já vinham de outros ciclos de escravidão) se concretizava em Jesus. Parece que não imaginavam que ele viria com milagres, também. E isso deve ter ferido os olhos a tal ponto de deixar exposto o coração e ter feito concluir, enfim, que aquele rapazinho não era apenas o libertador do povo, mas o próprio Deus que, compadecido e cheio de amor, havia encarnado em um homem para a salvação de muitos. 

Pode-se inventar mil raciocínios para defender a mensagem do amor, mas a grandeza do catolicismo repousa e se movimenta integralmente na passagem de Jesus pela Terra (que foi amor), na sua morte e espetacular ressurreição (pelo amor), bem como na fidelidade de seus discípulos estarem há dois mil anos tentando seguir tudo o que ele ensinou (por amor, para o amor) - ele: o homem-Deus (amor-Amor). A força dessa crença não dorme em qualquer livro de filosofia, mas acorda e resplandece na divindade de Jesus. 

Sobre a pergunta mais destruidora para qualquer religião monoteísta: "Se Deus existe, de onde vem o mal?". Os católicos respondem que nasce com o homem desobediente à Deus e que morre com o homem que soube obedecer. Segui-lo, ele que é caminho, promove a salvação do mal. 

Mas, isso não responde a pergunta: "Se Deus existe, de onde vem o mal?". Porque a força dessa pergunta é em virtude da concepção de Deus que não comporta o mal. Jesus não seria uma resposta, mas um alívio (e, ao final de sua vida, foi uma vítima desse mal). Se o mal nasce do homem, e o homem nasce de Deus, o mal nasce de Deus - eis o silogismo do ateu. 

A verdade é que os cristãos (os católicos entre eles) não se importam tanto com essa pergunta, mas com o alívio que Jesus é. Nunca a precisaram responder para querer ardentemente acabar com o mal da Terra, para trabalhar pelo fim de todo o mal. A ação mais valiosa que a razão. A fé mais do que a procura. Porque o amor basta: a falta dele antes, a presença dele com Jesus.