domingo, 7 de dezembro de 2014

Nossa homenagem ao Sr. Bolaños (Chaves, Chapolin, Dr. Chapatin, Soldado Chispirito, etc.)



Vejo mães dizendo que Chaves não era um desenho para crianças, pois as deseducavam. Mas, porque aquelas crianças se tornaram tão queridas para gente?

Elas brigavam umas contra as outras, os mais ricos esnobando os mais pobres, os donos dos meios de produção humilhando os inquilinos, os mais velhos sendo insultados pelos pequenos, a falta de polidez, a violência entre os vizinhos, a malandragem, a mentira, a sinceridade que agride. Todos estes recursos que reconhecemos tão nossos que rimos de nossa própria humanidade espelhada nos personagens de Bolaños.

Todavia, quando estávamos no ápice dessa identidade ao ponto de reforçá-la em nosso dia-a-dia, vinha aquela vila nos falar sobre a juventude do coração, a reconciliação dos díspares, o nivelamento das classes, a grandeza da amizade, a beleza do amor, a divindade de acolher um menino de rua como protagonista de nossas melhores lembranças, sem nem sabermos direito sua história ou a glória de seu sobrenome, mas pela ingenuidade e leveza com que vivia sua vida de barril.

E quem já não se sentiu tão herói quanto o anti-herói Chapolin? As pessoas em suas aventuras se salvam menos pelas habilidades deste do que pelo acaso delas. Ele é quase um fator confundidor que, por desnortear o mal, acaba o desmantelando.

Isso é uma lição para todos que quiserem "educar o ser humano". Não adianta tanto nos contar histórias de grandes heróis e deuses. Não o somos. Poderemos até nutrir admiração por eles, mas porque os imitar? Não são da nossa leva. Se quiserem fazer vibrar nosso íntimo ao ponto de nos guiar para transformações verdadeiras, tem que começar a partir do que verdadeiramente estamos, hoje. Para, então, mostrar como poderemos ser a partir dessa massa confusa de que somos feito.