quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Diálogo de penumbra



- Amor, eu sinto que os Espíritos conduzem nossa vida. Já deram várias provas de que sou apenas um partícipe de projetos que nos transcendem. Por exemplo, quando eu escrevia aqueles livrinhos sobre histórias do evangelho para crianças e, ao chegar no grupo de teatro, abrimos o evangelho ao acaso e caiu em "deixai vir a mim as criancinhas". Ou ainda quando eu pensava em exercer minha homeopatia junto à população carente do Bom Jardim e, ao chegar no ambulatório da especialização, tive a grata surpresa de este ser o mesmo pensamento da coordenadora do curso, inserir-se no mesmo bairro, no mesmo projeto. Mas, sinto tanta falta de meu pai. Queria que ele se comunicasse comigo de uma forma mais tangível. 

- Mas, ele está em todos esses projetos, Amor. 

- Queria que ele viesse ter comigo, face a face. 

- Ele está ocupado demais. 

- Demais ao ponto de não poder visitar de forma inquestionável o próprio filho? Tive sonhos com ele por estes tempos, mas foram muito enigmáticos, quase não o reconhecia neles. 

- Você não é médium. Não como você pensa. 

- Não importa. Nada impede que ele se manifeste singularmente comigo. 

- Contente-se com o que você sente. 

- Eu sinto... saudade.