sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Ao anjo da guarda, com reverência

Que posso dizer? Acho que as palavras seriam tóxicas para os ouvidos. Sangramos delas todos os dias. 

Recebe meu corpo em abraço. Só que a carne pesaria em tua túnica. Nossos passos fazem tremer os arredores.

E um beijo? A acidez e os germes da boca te machucariam. Cuspimos o mundo, nosso alagadiço. 

Que posso eu sem palavras, sem corpo, sem beijo? Eu, apenas eu. É o que queres? Este eu desnudo pelo sopro de Deus. Um vento cálido que tira as roupas, a carne, os ossos, o sangue, as vaidades. Exposto, me ajoelho. Porém, sinto que me tomas pela mão, e enfim, sou teu.