domingo, 9 de julho de 2017

Uma jovem me pergunta sobre seus pesadelos monstruosos



Ela diz: "Desde pequena tenho pesadelos. Raramente, sonhos bons. Antes não sonhar, porque se sonho, quase certeza ter sangue, corpos esfolados, perseguição, quando não são monstros. O último sonho foi em uma casa à beira do mar. Meu filho estava dentro. Fui contemplar o oceano. Havia monstros terríveis e enormes nadando nele. Minha única preocupação era a segurança de meu filho. Em certo momento, o procuro e não acho. Vou desesperada atrás dele. Acordo."

Ela me falou imaginando que eu pudesse dar uma explicação espírita. E a mais óbvia falaria sobre obsessão. Alguma que a acompanhasse desde a infância. Considerando essa hipótese, vale dizer que é menos provável que seu espírito, desdobrado do corpo que dorme, vá até estas fantasmagorias do que a seu espírito sejam sugeridas estas imagens, como em um transe hipnótico. 

Todavia, acho que há algo mais profundo e essencial nessa experiência: ela é sensível para o desmoronamento do sentido do mundo. Dia desses compartilhei um breve diálogo com meu amigo astrônomo. Por Deus, como somos nada! Como toda a aventura humana é menos do que um macaqueado para a escala cósmica! E, no ínfimo, como a morte, a putrefação faz parte do nosso chão de forma onipresente. Quantos microorganismos a se engalfinharem! 

Não precisa sair do lugar. Nosso próprio corpo é palco das maiores batalhas. Logo ali fermenta a decomposição. E a vida só é possível porque o seu contrário fervilha. 

Essa jovem mãe, portanto, sonha com uma face da realidade. O que me admira nela é, diante de monstros colossais, ela pensar no filho. O nome disso é maternidade. 

Apenas Jesus para nos proteger destes ataques, seja porque sua existência deu sentido para todo esse caos, seja porque ele venceu todo esse caos (1). Na sua sombra, nos salvamos. 

Mas, essa moça é cristã. Longe de mim questionar sua fé em Jesus. Acredito que, nela, a fé não a protege dos ataques, mas sim dá coragem para enfrentá-los. "Minha única preocupação era a segurança do meu filho."



Explico melhor a grandeza de Jesus nos textos inseridos no marcador com o nome dele aqui, e, especialmente, no texto que analisa a tragédia aqui.