quinta-feira, 20 de julho de 2017

Um caso de sonho mediúnico no interior do Ceará



 O envolvido nos narra da seguinte forma: 

"Uma senhora morreu e deixou um filho aos cuidados da amiga. Esta engravida e o Espírito da falecida aparece para minha esposa em sonho temendo pelos cuidados do seu filho, pois poderia passar necessidade já que poderia ser colocado de lado. Minha esposa acorda sabendo da existência de uma mulher que não tem intimidade, da gravidez dessa mulher, de que ela cuidava do filho de uma falecida, e, até mesmo - detalhe estranho - da data de nascimento dela. Vai falar com esta mulher. Ela nem sabia que estava grávida. Depois disso foi atrás do exame, deu positivo."

Casos como este se repetem aos milhares. Nada do que se admirar aos olhos espíritas. Todavia, é preciso todas estas chaves de compreensão para elucidar o caso:

1. As pessoas não morrem. Perpetuam-se para além do corpo, geralmente levando as mesmas preocupações do que quando vivas, mantendo pois a sua individualidade. Nenhuma identidade se dissolve no nada. 

2. As pessoas que morrem, e se mantém vivas, podem se comunicar com quem está ainda no corpo carnal. Mas, não com qualquer um. É preciso ter uma abertura natural para que a comunicação se processe. Chamamos essa abertura de mediunidade, pois são pessoas que servem, de algum modo, de meio ou estão no meio dos dois mundos. 

3. Os Espíritos, desvencilhados da carne, experimentam um alargamento de seus sentidos, podendo perceber detalhes que passam ao largo dos nossos canais de captação. Ninguém consegue ver uma gravidez em estágio inicial, mas um Espírito percebe as mudanças do corpo espiritual e mesmo do ambiente da pessoa, no que tange a vizinhança espírita(1) dela. 

Por outro lado, existem chaves que bloqueariam a compreensão, as quais, por isso, devem ser questionadas criticamente:

1. Se o que vem aos nossos sonhos for produto apenas da nossa atividade de vigília, resíduos de cenas não elaboradas, como se explicaria a adivinhação do que nunca esteve ao nosso alcance?

2. Se os mortos não podem voltar para se comunicar ou se uma borracha divina for passada na consciência da alma ao fazer a derradeira passagem, por que tantas "visagens" tentando resolver assuntos inacabados?

3. Se as pessoas são pedras intransponíveis, onde apenas o que é muito tangível consegue chegar à consciência pelas portas dos sentidos que conhecemos dos livros de biologia, como explicar as intuições e as comunicações à distância que unem indivíduos cujos laços afetivos os fazem um só? As mães que sentem a dor do filho sem ver o ferimento, ou os amigos que antecipam o desejo do outro? Ou, por fim, as adivinhações? Não falo das adivinhações tolas, dos contos que tentam ridicularizar as cartomantes, mas das verdadeiras, que confundem nossa razão, que perturbam o que acreditamos ser a realidade, este tecido de conexões lógicas cujos elos só podem existir neste plano material. As adivinhações verdadeiras, as profecias, os vaticínios, arrebatam o Espírito do médium e o faz ter acesso a informações que estão para além de qualquer dado cotidianamente apreensível.

Dito isto, eis como fica a explicação:

- Sua esposa é médium. O Espírito dela encontrou com o da falecida ao sair do corpo no momento que este dormia. Dialogaram no plano espiritual. Ela retornou com informações novas, que eram fato já no mundo dos espíritos, mas ainda prenúncio no plano material. Foi ao encontro dos envolvidos no caso, e acabou sendo anunciante de coisas que estavam por vir. 



(1) Utilizo o termo vizinhança espírita semelhantemente à vida espírita que Allan Kardec utilizou em O Livro dos Espíritos, que é tão somente a vida espiritual regida pelas leis que o Espiritismo descobriu. Queira checar clicando aqui.